O governo Trump anunciou nesta semana a abertura do processo formal para a imposição de uma tarifa de 25% sobre importações provenientes do Brasil, invocando a lei de poderes econômicos em emergência internacional (IEEPA, na sigla em inglês). A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas comerciais "não recíprocas" e que o desequilíbrio na balança bilateral prejudica trabalhadores norte-americanos.
A proposta, se confirmada, afetaria diretamente produtos como aço, alumínio, celulose, calçados e itens do agronegócio. Exportadores brasileiros aguardam com apreensão a abertura de período de consultas públicas que antecede a decisão final.
O presidente Lula reagiu em declaração pública: "O Brasil não pode aceitar esse tratamento. Temos uma relação comercial equilibrada com os Estados Unidos e não vamos admitir ser tratados como adversários." A fala foi reproduzida pela agência Al Jazeera e pela ABC News norte-americana.
Resposta diplomática
O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador dos EUA em Brasília para uma reunião de urgência. O Itamaraty sinalizou que o Brasil deve acionar formalmente o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) caso a tarifa seja confirmada.
O governo também articula junto aos demais países do Mercosul uma posição conjunta, dado que o bloco acaba de colocar em vigor o Acordo Interino com a União Europeia — alternativa comercial que ganha relevância justamente diante da pressão norte-americana.
Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o presidente Lula telefonou a líderes europeus e ao presidente da China para reforçar parcerias estratégicas. A China já absorve 37% das exportações brasileiras e a Índia registrou crescimento de 52,9% nas importações de produtos brasileiros em 2025.
Impacto no agronegócio
O setor que mais teme o impacto imediato é o agronegócio. Os Estados Unidos são o terceiro maior destino das exportações brasileiras do setor, com destaque para celulose, suco de laranja, carnes e café. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) emitiu nota pedindo negociação urgente e alertando para o risco de perda de competitividade frente a concorrentes como Argentina e Austrália.
Analistas do mercado financeiro apontam que a tarifa de 25%, se implementada, poderia reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até US$ 4 bilhões por ano. No entanto, destacam que a diversificação promovida nos últimos anos amortece parte do impacto: o Brasil fechou 2025 com exportações recordes de US$ 348,7 bilhões, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.
Contexto: Brasil na mira das tarifas Trump
A medida faz parte de uma ofensiva tarifária mais ampla da administração Trump contra países considerados "não alinhados" às prioridades comerciais dos EUA. O Brasil está entre as economias emergentes que mais diversificaram parceiros nos últimos anos — aproximando-se da China, da UE e de mercados africanos e asiáticos —, o que Washington interpreta como sinal de distanciamento estratégico.
Para o governo Lula, a proposta chega em momento politicamente sensível, com a campanha eleitoral de 2026 se aproximando. Uma escalada nas tensões comerciais com os EUA pode ser explorada tanto como vitória simbólica de soberania quanto como risco econômico por adversários.
Fontes: Al Jazeera (03/06/2026); ABC News (03/06/2026); Agência Brasil/EBC; MDIC; Itamaraty. Dados de comércio exterior verificados por LED Report com base em FTI Consulting e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

